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segunda-feira, 16 de março de 2009
sábado, 14 de fevereiro de 2009
o caso de cesare battisti
comecei a me posicionar sobre o caso de battisti quando recebi um e-mail defendendo seu status de refugiado. curiosamente este e-mail não analisava o caso em si, mas a instituição de asilo político. o texto relatava casos de militantes de esquerda que fugiram do brasil durante o regime militar e foram refugiados na suécia e terminava assim : "o brasil não pode deixar-se influenciar por apelos do neoliberalismo mundial. o brasil tem que dar asilo político a cesare bettisti". inicialmente, o caso parecia claro. uma defesa ideológica, não uma defesa humanitária baseada em aspectos jurídicos.
a itália, no entanto, só vem favorecendo battisti, contribuindo para a imagem de perseguição política. inicialmente pelo envolvimento direto dos presidente, primeiro-ministro e chanceler (franco frattini) italianos. para mim, uma reação exagerada. plausível, visto que é relação entre poderes executivos. o que dizer, porém, da reação no parlamento europeu e do cancelamento da visita a santa catarina?
há de se observar ainda o seguinte: "marianne fischer boel, representante da comissão europeia - braço executivo da união europeia - contestou a decisão do parlamento, por entender que a comissão não tem mandato legal para intervir em questões entre dois países" (retirado de o globo - caso battisti: parlamento europeu aprova resolução de apoio à itália). transformar o processo judiciário bilateral em uma relação multilateral é problemático, pois fica difícil não caracterizar perseguição política com tanta pressão política.
o que fazer, então? o histórico de cesare battisti tende a confirmar a senteça italiana, mas a itália insiste em caracterizar perseguição política. extraditar um assassino para que cumpra sua sentença, mesmo sabendo que está sofrendo perseguição política? humanitáriamente errado. ou.. mantê-lo em liberdade como refugiado político, mesmo sabendo que talvez seja culpado por 4 assassinatos? juridicamente errado.
melhor seria se a itália parasse de fazer tanta pressão e deixasse o processo jurídico transcorrer normalmente, com representação junto ao stf e acompanhada pela missão diplomática no brasil. dessa forma seria mais fácil o mais provável acontecer: a extradição.
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meu e-mail em resposta:
é complicado falar de asilo político. com certeza é um instituto que deve existir, mas precisam-se de regras mais claras.
muitas pessoas roubam, sequestram e matam sob a bandeira de alguma ideologia e depois alegam perseguição política. essas pessoas continuam a ser ladrões, sequestradores e assassinos, e merecem todo o rigor da lei. deve-se ter muito cuidado para não transformar asilo polítco em refúgio ideológico de criminosos. para se considerar asilo político, é preciso que o "réu" esteja sofrendo apenas perseguição ideológica, e não perseguição criminal.
não conheço detalhes do processo de Cesare Battisti. sei que ele foi condenado à prisão perpétua por assassinatos na itália, mas alega inocência. o fato, no entanto, de ter participado do grupo "Proletários Armados pelo Comunismo" não é muito favorável para que eu acredite na sua inocência.
outra coisa.. o ministro Tarso Genro não é muito confiável, em especial nesse caso. era militante de esquerda e já mostrou favorecer seus partidários. esse asilo mais parece refúgio ideológico que asilo político, para mim.
espero que o stf tenha competência para determinar a validade do asilo político. se Battisti estiver sofrendo perseguição política, que o asilo seja concedido. se estiver, no entanto, fugindo da lei..arrivederci!
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
a ex-futura praça da soberania
(o texto de opinião está mais embaixo)
é engraçado...
ontem criei este blog para postar o texto com minha opinião quanto a construção da praça da soberania. o texto já estava pronto. ontem passei um tempo na estruturação do blog e na postagem sobre o osiris. hoje, então, postaria o texto. surpreendentemente, quando peguei o jornal pela manhã, estava lá: "niemeyer desiste da praça na esplanada". ao mesmo tempo, pensei: "ótimo", "que pena" e "e meu blog?!"
foi ótimo porque a praça, como seria, eu não queria. foi uma pena porque, afinal, é uma obra no niemeyer e eram 3.000 vagas... mas o que me frustrou foi pensar no blog. nem chegara a publicar o texto e este já não fazia mais sentido. resolvi publicar mesmo assim. se não o fizesse, eram dois trabalhos em vão (texto e blog). que seja assim, então.. que, pelo menos, não sejam trabalhos perdidos.
vamos ao que interessa..
o texto foi feito em resposta a carta de oscar niemeyer, publicada no dia 22 de janeiro, no correio braziliense. primeiramente, a ideia era enviar uma nota diretamente para o escritório do arquiteto e para o gdf. nem um, nem outro. a nota virou um texto e não encontrei um endereço eletrônico para onde enviá-lo. a solução óbvia do problema foi enviá-lo de volta para o correio braziliense. o correio tem vários endereços de e-mail. escolhi o de assinante e pronto (acho que não era o correto, mas esperava que encaminhassem). nenhuma resposta. niemeyer enviou alguns dias depois, então, outra carta. na matéria do correio, um endereço para opiniões. enviei de novo.
não sei se receberam ou não. não publicaram, nem responderam. então resolvi fazer como a maioria: publicar em blog e fóruns. voilà! fiz o blog, mas eis que o niemeyer desistiu da praça nesse breve período... o texto ainda tem utilidade, pois questiono outros aspectos que continuam válidos para a administração de brasília e para futuros projetos arquitetônicos.
vou aproveitar para outros questionamentos agora:
o governador arruda frente à polêmica, como todo bom político, desistiu da obra. talvez realmente esteja sem dinheiro e repensando os gastos nesse período de crise. é estranho, no entanto, pois, na época, ele disse "vamos fazer".
a praça era simplesmente questionável, pois agredia o tombamento. era, no entanto, viável em outras áreas. restava ver se, em outro lugar, manter-se-ia a inospitalidade do chão de concreto. ainda assim, sem a praça, como ficarão as 3.000 vagas e o memorial dos presidentes? ambos ainda são aspirações da população e do presidente lula. independentemente, com a desculpa da verba, de qualquer forma, não ficarão prontos para os 50 anos.
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o texto:
Resposta para "A nova praça para Brasília" (Correio Braziliense, Número 16.684, 22/01/09)
Antes de tudo, devo apresentar-me, pois não sou reconhecido mundialmente. Não recebi um prêmio Pritzker, nem outro qualquer de arquitetura. Não sou arquiteto e tão pouco sou estudante de arquitetura. Por fim, não tenho um século de experiência. Sou jovem, universitário e, principalmente, brasiliense. Sou alheio a muitos assuntos da arquitetura e do urbanismo, mas gostaria de participar do debate em curso. O simples fato de cruzar a rodoviária diariamente e ter o prazer de vislumbrar a Esplanada, independentemente das mudanças em todas as grandes metrópoles mundiais, certamente é motivo suficiente para me envolver na discussão que surge sobre a Praça.
Niemeyer é regularmente chamado de Sr. Brasília. Este pode ser um apelido digno, pois é quase onipresente na cidade. O fato de não morar na cidade, no entanto, não o torna onisciente. Este fato fica muito claro quando diz: "Fiquei impressionado com a quantidade de carros em volta da Praça dos Três Poderes". Todos os brasilienses sabem há muito tempo que isso "é muito feio". Outros fatos que o Sr. Niemeyer não viu são ainda mais feios. A falta de policiamento noturno (que não é solucionado com uma viatura fazendo ronda) permite que a falta de educação de alguns danifique o patrimônio público. A guarita é usada como banheiro, a Pira da Pátria como mirante (depois de escalados os mármores brancos, que se tornaram marrons).
O mastro do "Bandeirão" quase não apresenta mais os nomes dos estados brasileiros que outrora estavam escritos em sua base, e tentar deduzir as letras manchadas na ferrugem já virou diversão de alguns. Muitos brasilienses e turistas se "aventuram" àquele espaço que merece paisagismo, o que se pode conferir pela simples observação dos caminhos marcados na grama (que podem ser vistos do espaço em sites que disponibilizam imagens de satélite). Merece paisagismo também o Bosque dos Constituintes, que poderia se tornar uma ampla área de lazer com muito significado cívico em pleno coração do poder. Este bosque, no entanto, muitos nem sabem que existe. Por fim, para solucionar o problema dos carros estacionados na Praça, a simples ampliação do estacionamento do Espaço Oscar Niemeyer (anexo a Praça) e algumas placas de orientação talvez sejam suficientes para resolver o problema e aumentar a visitação ao merecido Espaço.
Talvez Brasília realmente precise de um nova praça, "uma praça onde o povo chega e se espanta". Com certeza precisa das três mil vagas. Com certeza precisa de manutenção e mais zelo pelos monumentos e outros edifícios e espaços que já foram construídos. Posso ainda citar outros recentes acontecimentos para defender tal ponto de vista: o fogo que danificou a Igrejinha de Fátima e o homicídio que ocorreu na Praça do Índio. Neste ponto é que Brasília deve ser comparada com Paris, Londres, Washington, etc.
Não sou contra a nova praça, mas também não sou a favor e ainda serei corajoso para questionar aqui o projeto do genial Sr. Brasília. Mudar a vista da Esplanada a partir da Rodoviária é algo simplesmente questionável. Todos que já tiveram a oportunidade de vê-la sabem do que estou falando. Para começo de conversa, então, o que mais senti falta foi de um modelo mostrando justamente essa perspectiva, pois só encontrei perspectivas aéreas. Brasília não é uma cidade como São Paulo, com grande frota de helicópteros. Niemeyer diz que é "preciso criar uma escala de convivência humana entre a Rodoviária e a Praça dos Três Poderes". Não sei se ele sabe, mas esses gramados são palco de rugby e cricket nos fins de semana e foi área de pouso do 14° Campeonato Mundial de Vôo Livre (asa-delta) em 2003. Se em 2007 um piloto de asa-delta ficou preso em um poste, o que dirá um monumento de 100 metros?
O Memorial dos Presidentes poderá estar em vários lugares da capital, não foi definido (até onde sei) que ficasse entre o Complexo Cultural da República e a futura Praça de Eventos. Acredito, inclusive, que o lado oeste do Eixo Monumental é o mais adequado. Nele estão os memoriais JK e dos Povos Indígenas. Enquanto o lado leste está mais ligado a eventos. Minha sugestão é, então, o reposicionamento 1km na direção oeste do Eixo, mas ainda junto a Rodoviária. É uma boa ideia um memorial mais próximo, pois os outros dois são bem mais distantes. Fica a dúvida, no entanto, se as estruturas do metrô possibilitam o estacionamento subterrâneo ali. Em caso afirmativo, há mais motivos que apenas o visual. Os setores comerciais e hoteleiros demandam por vagas. A futura linha de VLT passará a apenas 300m desse outro terreno. Poderá ser a integração VLT-Metrô-Rodoviária no projeto Brasília Integrada.
O outro questionamento ao Sr. Niemeyer refere-se a uma comparação com o recente Complexo Cultural da República. O Museu Nacional foi um ganho para a capital, um merecido amplo espaço de exposições. A Biblioteca, no entanto, ainda não está ativada. O problema é a grande área que os cerca. Apesar de o Museu ser movimentando, esta área não cativou os visitantes. As pessoas não ficam ali, apenas estão de passagem. O lugar não possui sombra, nem bancos. O concreto do piso o mantém quente. É inóspito. Aparentemente a futura Praça da Soberania seguirá os mesmos princípios. Dessa forma, acredito que este projeto, no formato como está, não atingirá o objetivo de "criar uma escala de convivência humana".
Por fim, Niemeyer se contradiz quando escreve: "A degradação ambiental começa a se agravar, determinando um dia, quem sabe, que as grandes áreas abertas venham a ser arborizadas, e que as coberturas de concreto, previstas na maioria dos edifícios, sejam também transformadas em terraços-jardim cobertos de grama" e faz um projeto sem qualquer metro quadrado de grama. Brasília, além de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, também é conhecida pelos azulejos de Athos Bulcão e pelo paisagismo de Burle Marx, mas, infelizmente, os demais já estão todos mortos. Deve haver algum brasileiro, senão o próprio Sr. Niemeyer, capaz de elaborar um projeto de paisagismo que se adéque dignamente ao projeto e proporcione à Praça, sobra e cor.
Não vejo campanha alguma contra este projeto. Mesmo assim, todo arquiteto que faz a reforma na casa de alguém precisa consultá-lo. Qualquer pessoa desconhecida, então, que fale sobre o assunto deve ser permitida e ouvida, pois muitos são brasilienses e/ou vivem em Brasília. Conhecem a dinâmica da cidade e, com certeza, amam-na. Além do mais, a construção será paga (imagino) com dinheiro público e isso já é motivo suficiente para permitir a qualquer contribuinte falar. É certo que o problema é do governador Arruda. Ele representa muito dos que se permitem falar, pois, possivelmente, foi eleito também por eles. Feita a Praça será o nome dele que ficará, bem ou mal, na história. Discordo, no entanto, que o problema não seja também do Sr. Niemeyer. Se tivessem aberto um concurso de projetos tudo bem, mas o projeto continua tendo sua assinatura. É uma pena que ele esteja "desinteressado nas opiniões que surgem", pois, se tantas pessoas têm algo há falar, talvez pudesse ouvir.
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a praça não será mais construida. Infelizmente não foi (diretamente) por conta da opinião brasiliense, mas por falta de dinheiro. Niemeyer não desceu do pedestal. Que pena. Os brasilienses, no entanto, mostraram que estão vivos e atentos. Acho que, pelo menos, muita gente entendeu o recado. o governador arruda, com certeza, ouviu.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
osiris
esse ainda não é o texto pelo qual criei o blog, e também não queria fosse essa a minha primeira postagem.. mas, enfim, que seja*
a violência, infelizmente, atingiu minha família escoteira essa semana. um ato bárbaro (leia a notícia abaixo). abalou todos que o conheceram. um absurdo! era uma pessoa a qual todos queriam bem. não merecia isso de forma alguma.
o que mais me preocupa agora, no entanto, são os que ficam. em especial, os mais próximos: os familiares e os amigos-irmãos. para ele, só podemos rezar..
ficam, como homenagens, dois trechos:
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"A violência é tão fascinante
E nossas vidas são tão normais"
[Baader-Meinhof Blues - Legião Urbana]
>>será?!
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"Mais uma vida jogada fora
Um coração que já não bate mais, descanse em paz
Sonhos que vão embora, antes da hora
Sonhos que ficam pra trás
[...]
Não tem remédio, não tem explicação, não tem volta
Os amigos não aceitam, o irmão se revolta
A família não acredita no que aconteceu
Ninguém consegue entender porque o garoto morreu
Tiraram da gente um jovem tão inocente
[...]
E a namoradinha com quem sonhava se casar [?]
[...]
Ninguém podia imaginar o seu destino
Mais uma vítima de um mundo violento..."
[Pra onde vai? - Gabriel, O Pensador]
>>mais trechos dessa música talvez se adaptassem à situação.. e eu tenho medo de alguns outros trechos que também não foram transcritos para cá. (que esses outros nunca representem-na!)
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Notícia:
Falso guia mata um jovem e estupra a namorada dele no Paraná
A polícia do Paraná está procurando o assassino que atacou um casal de jovens no litoral do estado, depois de se apresentar como guia turístico.
O corpo do estudante de Direito Osiris del Corso, de 22 anos, será enterrado na manhã desta terça. A família não permitiu que fossem feitas imagens do velório. O jovem foi baleado ao defender a namorada de uma tentativa de estupro.
Segundo a polícia, o crime foi cometido por um homem que se ofereceu para guiar o casal por uma trilha da Praia de Caiobá, no município de Matinhos, a 100 quilômetros de Curitiba.
Depois de atirar em Osiris, o falso guia disparou duas vezes contra a estudante de Educação Física de 23 anos. Ela foi atingida nos pulmões e na coluna.
A estudante ficou na mata, ferida, e sem poder se movimentar, durante 18 horas, até ser encontrada pelos bombeiros. Estava consciente e contou que, mesmo depois de fugir, o criminoso ainda voltou ao local.
“Ele retornou cerca de quatro horas depois, às 21h, e perguntou à moça se ela queria viver ou morrer. E ela falou que queria morrer diante daquela situação. E ele falou que ia deixar ela viver para ela sofrer um pouco mais. Nesse momento, ele estuprou a moça”, contou o tenente Eduardo Aguiar, do Corpo de Bombeiros.
A jovem foi transferida para um hospital de Curitiba. De acordo os médicos, ela continua em estado grave, mas o quadro é estável. A polícia espera a recuperação da universitária para fazer um retrato falado do criminoso e não vai revelar detalhes das investigações.
“Ainda é cedo, porque o quadro material do fato não está todo fechado. Nós dependemos de ouvir muitas testemunhas, muitas pessoas freqüentadoras da região, para que a gente possa estabelecer efetivamente o que aconteceu ali”, declarou o delegado Luís Alberto Cartaxo.
(retirada do Jornal Nacional, edição do dia 02/02/2009 - http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL983678-10406,00-FALSO+GUIA+MATA+UM+JOVEM+E+ESTUPRA+A+NAMORADA+DELE+NO+PARANA.html)
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*(acho que vou trocar o nome do blog para "QUE SEJA")
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